Nenhum de nós vê o mundo como ele realmente é: cada um de nós vê de acordo com nossas histórias partilhadas e individuais, as cores que você enxerga podem não ser as mesmas que outra pessoa vê. A partir desse entendimento optei por criar uma natureza preta e branca, para que cada um tenha o seu próprio colorido dependendo do seu imaginário. Esta compreensão fez com que desenvolvesse meus desenhos em preto e branco, usando o nanquim como o principal instrumento de trabalho. O branco, a base, e o preto atua como o fio condutor. enlaçando as linhas delicadas que compõem meus desenhos. Imagino a paisagem como um mosaico orgânico, fluído, exuberante em flores. Recorto o contorno do desenho para desprendê-lo do fundo vazio. Aquilo que antes representava o cheio contra o vazio do fundo transforma- se em pele solta diante de um fundo maior. As figuras das flores passam a se relacionar em um ambiente tridimensional. Dentro e fora vão se complementando entre relevos e sombras. O fundo entra em linhas retas e cores para envolver e contrastar ainda mais essa paisagem orgânica. A disposição dos quadros é apresentada muitas vezes em composições para dar mais movimento a obra.

O desenho e os trabalhos manuais sempre foram uma paixão e me acompanham desde criança. A relação com as mãos sempre foi única e especial, é quando realmente me conecto comigo. Não foi a toda que escolhi ser arquiteta. Durante a faculdade amava fazer maquetes e foi lá que fui apresentada ao Nanquim e me apaixonei. O tempo passou, me formei, e, o computador se tornou a principal ferramenta na minha vida profissional, mas a vontade de retomar os pincéis e canetas sempre existiu. Percebi o quanto o traço a mão era importante quando via os registros depois das reuniões. Sem perceber, os cadernos ficavam sempre cheios de desenhos. Sempre tive o sonho de ser mãe, mas não conseguia. Foram muitos anos de tentativas frustradas. Junto veio a frustração com a arquitetura. Resolvi então abandonar o escritório e repensar a vida. Foi quando pude me reencontrar com o desenho e me dedicar a ele. E hoje posso dizer que sou uma pessoa realizada. Vivo das minhas maiores paixões. O desenho, os trabalhos manuais e minha família.

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