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Ani Cuenca tem a arquitetura como primeira formação — e é dessa escuta do espaço, da matéria e da estrutura que nasce sua prática artística. Da arquitetura, carrega a atenção ao ritmo, ao suporte, ao gesto construtivo — mas se desvia da rigidez técnica para habitar a fragilidade dos restos, das tramas e das memórias.

Suas composições se constroem a partir de materiais ordinários e afetivos: guardanapos antigos, tecidos descartados, lixas, parafina, fios, madeira, latão e telas metálicas. São elementos que carregam tempo, toque e história. Por meio da colagem, do entrelaçamento e da suspensão, a artista lhes oferece uma nova estrutura — oscilando entre o íntimo e o escultórico, entre o gesto doméstico e a presença construtiva.

Entre esses materiais, o guardanapo antigo ocupa um lugar simbólico e recorrente. Tecido carregado de função, afeto, herança e expectativa, aparece como vestígio e suporte. Ao rasgá-lo, bordá-lo, impregnando-o de parafina ou expondo-o como relicário, Ani Cuenca não apenas altera seu uso: reinscreve histórias. O guardanapo torna-se ao mesmo tempo aconchego e contenção, ritual e ausência — um território íntimo onde o gesto se transforma em memória visível.

A lixa, por sua vez, introduz outra camada de significado: o atrito como linguagem. Associada ao desgaste e à preparação da superfície, ela é, em seu trabalho, um instrumento de fricção poética: risca, expõe, resiste, mas também revela. Contrastada com tecidos delicados, a lixa ativa tensões entre o que afaga e o que fere, entre o gesto e a resistência. De ferramenta, vira pele — uma pele que carrega a tensão entre a memória e o esquecimento, entre o que se quer guardar e o que insiste em doer.

Esse embate se amplia no uso das telas metálicas, fios de cobre, estruturas rígidas e suportes industriais. O metal, com sua frieza e rigidez, introduz uma presença construtiva que contrasta com o gesto orgânico da colagem ou da costura. As telas funcionam como tramas que contêm sem aprisionar — grades porosas onde o tecido pode escapar ou ser tensionado. Já os fios metálicos, entrelaçados ou suspensos, estendem o desenho para o espaço, ativando o tridimensional como extensão da memória.

A presença do fragmento, do entrelaçamento e do vazio são eixos que atravessam sua obra. Ani Cuenca trabalha com o que sobra e com o que falta — os restos e os silêncios —, buscando nas dobras, nos cortes e nas ausências um modo de construir presença. O corpo está sempre ali: não como figura, mas como rastro. Um corpo que tocou, que usou, que deixou marcas. Há sempre uma tensão entre o delicado e o áspero, entre a contenção e o transbordamento.

 

FORMAÇÃO:

2024 Artes Plásticas, Escola Panamericana de Artes, São Paulo, SP

2003 Arquitetura e Urbanismo, UFRJ – Rio de Janeiro, RJ

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CURSOS LIVRES:

 

04 a 11/ 2025 – “Sem Titulo” com a pesquisadora e curadora Julie Belfer Sarian.

2024 e 2025 – “Acompanhamento Artístico” com a pesquisadora e curadora Julie Belfer Sarian.

2024 e 2025 – “Disparos para Produção” com a pesquisadora e curadora Julie Belfer Sarian.

2021 e 2022 – “Perdendo a Linha” com o artista Pedro Varela

 

EXPOSIÇÕES COLETIVAS

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